
Quanto cobrar por sessão de psicologia: guia para calcular
Quanto cobrar por sessão de psicologia: passo a passo para calcular o piso com custos fixos, impostos e faltas e comparar com plataforma e convênio.
- O que o Código de Ética diz sobre honorários?
- Como calcular o piso por sessão em 5 passos?
- Quais custos costumam ficar de fora da conta?
- Como o repasse de plataforma e de convênio entra na conta?
- Dá para reservar horários com valor reduzido?
- Como comparar com a tabela de referência do CFP e da Fenapsi?
- Como reajustar sem perder pacientes?
- Como manter a conta atualizada?
- Por onde começar
Resumo
O piso da sessão de psicologia sai de uma conta: retirada desejada mais custos fixos, ajustados por impostos, divididos pelas sessões que você realmente recebe no mês, já descontadas as faltas. No exemplo deste guia, com premissas explícitas, o piso fica em R$ 111 por sessão presencial e R$ 93 online. Os números são ilustrativos: troque pelos seus.
Atualizado em outubro de 2026.
Quanto cobrar por sessão de psicologia é uma das dúvidas mais comuns de quem abre consultório, e quase sempre a resposta vem de olhar o que os colegas cobram. O problema é que o preço do colega embute os custos dele, não os seus. Em comunidades online de psicólogos, as discussões sobre valores de R$ 30 a R$ 50 por sessão mostram o mesmo padrão: a conta dos custos fixos não foi feita, ou foi feita só pela metade.
Este guia ensina a fazer essa conta em cinco passos, mostra os custos que costumam ficar de fora e compara o resultado com o repasse de plataformas e convênios. Todos os valores em reais são exemplos com premissas à vista, usados só para mostrar o método. Nenhum deles é um preço recomendado ou uma promessa de faturamento.
O que o Código de Ética diz sobre honorários?
O art. 4º do Código de Ética Profissional do Psicólogo trata da remuneração. Ao fixar a remuneração, o psicólogo leva em conta a justa retribuição pelos serviços prestados e as condições do usuário ou beneficiário, estipula o valor de acordo com as características da atividade e o comunica antes do início do trabalho, e assegura a qualidade do atendimento independentemente do valor combinado. O texto está no Código de Ética Profissional do Psicólogo.
Na prática, isso devolve a decisão para você, com duas exigências: o valor precisa ser justo para os dois lados e precisa ser dito antes de começar.
Como calcular o piso por sessão em 5 passos?
O piso é o menor valor por sessão que cobre seus custos e a retirada que você precisa. Abaixo dele, o consultório paga as próprias contas e não sobra retirada.
Passo 1: defina a retirada líquida. É quanto você quer levar para casa por mês, depois de custos e impostos. No exemplo: R$ 5.000.
Passo 2: some os custos fixos mensais. Os valores abaixo são ilustrativos.
| Custo mensal | Exemplo (R$) |
| Aluguel de sala | 1.200 |
| Internet e telefone | 150 |
| Supervisão, estudo e formação | 400 |
| Ferramentas (agenda, prontuário) | 100 |
| Contabilidade | 200 |
| Anuidade do CRP e outras taxas (parcela mensal) | 150 |
| Total | 2.200 |
Passo 3: acrescente o imposto. O cálculo de cada regime é diferente. O exemplo simplifica: aplica 10% sobre o faturamento como premissa. Troque pelo percentual real do seu caso. O artigo sobre obrigações fiscais do psicólogo autônomo explica as diferenças entre pessoa física e jurídica.
Para chegar a R$ 5.000 líquidos depois de R$ 2.200 de custos e 10% de imposto, o faturamento mensal precisa ser de (5.000 + 2.200) ÷ 0,90 = R$ 8.000.
Passo 4: conte as sessões que você de fato recebe. Agenda cheia não é receita. No exemplo, são 20 sessões por semana, ou 80 por mês. Se 10% delas viram falta sem cobrança, restam 72 sessões pagas. Relatos de psicólogos apontam que as faltas chegam a custar entre 10% e 20% do faturamento, então teste a sua própria taxa.
Passo 5: divida. R$ 8.000 ÷ 72 sessões = R$ 111 por sessão.
Para quem atende só online, sem aluguel de sala, os custos fixos caem para R$ 1.000. O faturamento necessário passa a ser (5.000 + 1.000) ÷ 0,90 = R$ 6.667, e o piso fica em R$ 93 por sessão (R$ 6.667 ÷ 72).
Um cálculo que circula entre psicólogos chega a R$ 75 por sessão com 80 sessões, R$ 4.500 líquidos e R$ 1.500 de custos. A lógica é a mesma, mas ele deixa imposto e faltas de fora. Com 10% para cada um, o mesmo cenário dá R$ 93.
Quais custos costumam ficar de fora da conta?
Quatro itens aparecem pouco ou ficam subestimados nas contas de cabeça.
Faltas e cancelamentos. Se você não cobra a sessão perdida, o horário continua ocupado e sem receita. Uma política escrita ajuda: veja como montar a política de cancelamento e as formas de reduzir faltas de pacientes.
Tempo administrativo. Prontuário, mensagens, confirmação de horário e cobrança tomam tempo que ninguém paga. Com 10 minutos por sessão, 20 sessões por semana somam 3 horas e 20 minutos que não aparecem em nenhuma linha da tabela.
Formação continuada. Psicólogos relatam que supervisão, estudo de caso e pós-graduação raramente custam menos de R$ 400 por mês somados. O exemplo já inclui esse valor na tabela do passo 2, mas muita gente esquece de incluí-lo na própria conta.
Semanas sem atendimento. O exemplo supõe 4 semanas cheias por mês. Quem para em férias e feriados concentra o faturamento do ano em menos semanas, e o piso sobe.
O custo de vida também muda o resultado. Relatos comparam cidades pequenas, onde R$ 50 a sessão pode ser o praticado, com capitais, onde o aluguel da sala sozinho muda a conta. O método é o mesmo, os números não são.
Como o repasse de plataforma e de convênio entra na conta?
Compare o piso com o repasse antes de aceitar uma agenda.
No exemplo presencial, 72 sessões pagas a R$ 30 somam R$ 2.160, menos que os R$ 2.200 de custos fixos, antes de qualquer imposto ou retirada. No exemplo online, cobrir os R$ 6.667 de faturamento necessário a R$ 30 por sessão exigiria cerca de 222 sessões por mês, quando a agenda do exemplo comporta 80.
A comparação tem ressalvas. A plataforma entrega pacientes sem que você gaste com divulgação, e quem atende online pode dispensar a sala. Há ainda psicólogos que defendem que R$ 30 é viável como parte da agenda, em combinação com outras fontes, como serviços públicos, clínica-escola e planos de saúde. O que a conta mostra é o limite: esse repasse sozinho não fecha o mês nas premissas deste exemplo.
Com planos de saúde, o raciocínio é o mesmo. Relatos de psicólogos citam repasses na casa de R$ 14 por sessão. Antes de fechar convênio, calcule quantas sessões por mês seriam necessárias para cobrir o piso e se existe espaço para elas na agenda.
Quem quer reduzir a dependência de um canal só encontra caminhos práticos no guia sobre como conseguir pacientes sem plataforma.
Dá para reservar horários com valor reduzido?
Dá, e alguns psicólogos fazem isso como meio-termo: poucos horários da agenda com valor menor, compensados pelos demais. O ponto é fazer a conta da compensação.
No exemplo, imagine 8 das 72 sessões pagas a R$ 60. Elas somam R$ 480, e as 64 restantes precisam cobrir R$ 7.520: R$ 117,50 cada, contra R$ 111 se todas fossem iguais. Cada horário reduzido empurra o valor dos outros para cima.
Uma observação sobre a regra de divulgação. A Nota Técnica CFP nº 1/2022 orienta evitar termos como "preço social", "atendimento social" e "desconto" na divulgação. Esses horários são uma decisão de gestão, combinada com o paciente antes do início do trabalho, e não algo para anunciar. Os detalhes estão na Nota Técnica CFP nº 1/2022.
Como comparar com a tabela de referência do CFP e da Fenapsi?
O CFP e a Fenapsi publicam uma tabela de referência de honorários da psicologia, atualizada com base no INPC. Ela é referência, sem valor de piso ou teto. Serve para checar se o seu piso está longe do que a categoria usa como referência. Os valores mudam a cada atualização, então consulte a edição vigente em vez de copiar um número de qualquer artigo, este inclusive.
Se o seu piso calculado ficar muito abaixo da tabela, vale entender por quê: custos menores, atendimento online, início de carreira. Se ficar acima, revise as premissas. Quem decide o preço é o seu consultório.
Como reajustar sem perder pacientes?
Reajuste funciona melhor como conversa combinada. Alguns cuidados reduzem o atrito:
Avise com antecedência e por escrito, como o art. 4º pede para o valor inicial.
Aplique o novo valor primeiro a pacientes novos. Os antigos podem ter um prazo maior.
Prefira ajustes pequenos e regulares. Uma vez por ano, com um índice de inflação como referência (a própria tabela do CFP usa o INPC), costuma ser menos brusco que um salto depois de anos parado.
Converse individualmente com pacientes em momentos delicados do processo, em vez de mandar aviso geral.
Registre a regra no contrato terapêutico, para que o reajuste anual seja conhecido desde a primeira sessão.
Nenhum desses cuidados elimina a possibilidade de um paciente sair. Decida antes quanto da agenda você aceita renegociar. O artigo sobre independência financeira para psicólogos e o de ferramentas de gestão financeira ajudam a acompanhar o resultado depois.
Como manter a conta atualizada?
O piso muda quando muda o aluguel, a taxa de faltas ou o número de sessões. Acompanhar esses números todo mês permite reajustar com segurança. Sem isso, a defasagem aparece quando o caixa aperta.
O essencial é saber quanto entrou, o que está pendente e quantas sessões foram de fato pagas. O financeiro da WiseThera mostra o total recebido, o faturamento previsto, as contas vencidas e a projeção do próximo mês. Você registra os pagamentos, e a falta fica marcada sem alterar o valor da sessão. Com esses dados, dá para refazer a conta com números do mês em vez de memória.
Por onde começar
Pegue um papel e faça os cinco passos com os seus números. Se o piso ficar acima do que você cobra hoje, não precisa reajustar tudo de uma vez: comece pelos pacientes novos e revise a taxa de faltas, que costuma ser a alavanca mais rápida.
Se quiser testar agenda, notas de sessão e financeiro num só lugar, a WiseThera tem 30 dias grátis, sem cartão.
Este guia usa números de exemplo.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar por sessão de psicologia?
- Não existe um valor único. O piso sai de uma conta: retirada desejada mais custos fixos, ajustados por impostos, divididos pelas sessões que você realmente recebe no mês. No exemplo deste guia, com premissas explícitas, o resultado fica entre R$ 93 e R$ 111 por sessão. Troque os números pelos seus.
R$ 30 a R$ 50 por sessão é pouco?
- Depende dos custos e de quantas sessões você recebe por mês. Psicólogos relatam que, depois de aluguel, impostos, supervisão e faltas, valores nessa faixa deixam pouca ou nenhuma retirada. Para parte da agenda pode fazer sentido, desde que o conjunto das sessões cubra custos e retirada.
Psicólogo pode divulgar o valor da sessão?
- O Código de Ética veda o uso do preço como propaganda (art. 20, alínea d), e a Nota Técnica CFP nº 1/2022 orienta evitar termos como desconto, pacote promocional e valor acessível. Informar o valor ao paciente que entra em contato é outra coisa: o art. 4º pede que o valor seja comunicado antes do início do trabalho.
A tabela de honorários do CFP é obrigatória?
- A tabela publicada pelo CFP e pela Fenapsi é uma referência de valores, e não fixa o preço do seu trabalho. O Código de Ética (art. 4º) pede que você leve em conta a justa retribuição pelo serviço e as condições de quem é atendido, e que comunique o valor antes do início.
Como reajustar o valor da sessão sem perder pacientes?
- Avise com antecedência e por escrito, aplique o novo valor primeiro a pacientes novos e prefira reajustes pequenos e regulares, por exemplo uma vez por ano com um índice de inflação como referência. Converse individualmente com pacientes antigos antes da mudança.
Artigo por WiseThera
Gestão, tecnologia e compliance · WiseThera
A WiseThera escreve sobre a parte do trabalho clínico que ninguém aprende na graduação: agenda, cobrança, prontuário, contrato, imposto e as obrigações de privacidade que recaem sobre quem atende.
O blog é para psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental que tocam o próprio consultório. Cada texto sai de uma dúvida real de quem atende, e os exemplos clínicos são fictícios.



