
NR-1: guia de fiscalização de riscos psicossociais
A NR-1 exige gestão de riscos psicossociais desde 26/05/2026, mas o STF suspendeu as multas. Veja o que segue valendo e o papel do psicólogo.
Resumo
A NR-1 exige que empresas incluam riscos psicossociais na gestão de riscos desde 26/05/2026. Em 25/06/2026, o STF suspendeu por 90 dias multas e sanções ligadas a esses itens, a suspensão foi referendada em agosto e prorrogada em setembro. A obrigação de gerir o risco continua, e o psicólogo organizacional segue sendo peça central para quem quer chegar preparado ao fim da suspensão.
A NR-1 atualizada pela Portaria MTE n.º 1.419/2024 passou a valer em 26 de maio de 2026 para a gestão de riscos psicossociais nas empresas. Um mês depois, em 25 de junho, o ministro André Mendonça, do STF, suspendeu por 90 dias a aplicação de multas e outras sanções ligadas a esses itens, ao julgar a ADPF 1316, e abriu uma conciliação sobre os critérios de punição. O plenário referendou a decisão em agosto, e em setembro a suspensão foi prorrogada por mais 90 dias.
Isso muda o que dá para afirmar sobre fiscalização: a empresa que não gere risco psicossocial segue descumprindo a norma, mas a punição desses itens está suspensa enquanto durar a decisão. O prazo, porém, é limitado, e a conciliação pode redefinir os critérios.
Última atualização: 28 de outubro de 2026.
Este artigo explica o que a norma pede, o que o MTE orienta e por que ter psicólogo organizacional no processo continua sendo uma decisão de gestão de risco.
O que mudou na NR-1 e o que o STF suspendeu
A NR-1, norma que rege o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), foi atualizada pela Portaria MTE n.º 1.419/2024 para incluir explicitamente os riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o mesmo documento que já existia para riscos físicos, químicos e biológicos.
A decisão do STF não revoga a NR-1. Ela suspende a eficácia punitiva de dispositivos específicos sobre riscos psicossociais, enquanto as entidades e o governo discutem, em conciliação, critérios mais objetivos para identificar e avaliar esses riscos. A obrigação de gerir o risco e a responsabilidade da empresa permanecem.
O MTE publicou em maio de 2026 um guia de perguntas e respostas para orientar empresas sobre as mudanças da NR-1. Entre os pontos do guia: a identificação dos fatores de risco psicossocial deve abranger todas as formas de organização do trabalho, inclusive remoto e híbrido; questionários padronizados são uma opção, mas não bastam sozinhos; e a NR-1 não estabelece uma ferramenta ou metodologia oficial única.
O que a empresa precisa conseguir mostrar
Mesmo com a punição suspensa, a documentação continua sendo a base de qualquer defesa, seja diante de uma futura retomada da fiscalização, seja numa ação trabalhista.
O que costuma sustentar uma gestão de risco psicossocial:
PGR atualizado com seção específica de riscos psicossociais, não apenas uma menção genérica
Metodologia de mapeamento documentada: entrevistas estruturadas, questionários, cruzamento com dados de afastamento e absenteísmo
Plano de ação vinculado a cada risco identificado, com responsável e prazo
Profissional com competência técnica envolvido no processo, em vez de RH preenchendo formulário interno
Um PGR genérico, sem metodologia clara e sem dado, é fraco em qualquer cenário. O ponto mais grave é o PGR malfeito virar prova documental contra a empresa numa ação trabalhista por afastamento em saúde mental, porque passa a existir registro formal de que o risco foi identificado (ou deveria ter sido) e nada foi feito.
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Por que ter psicólogo organizacional no processo
O erro mais comum é tratar a contratação de psicólogo organizacional como próximo passo, algo para "quando a empresa crescer" ou "quando a fiscalização voltar". O mapeamento de risco psicossocial leva tempo e é justamente o que reduz o problema depois.
Responsabilidade técnica não se improvisa em cima da hora. Um PGR com seção de riscos psicossociais robusta exige entrevistas, instrumentos, análise de dados e redação de laudo. Empresas que só procuram psicólogo quando o prazo aperta fazem esse trabalho sob pressão, com qualidade inferior e custo maior.
O diagnóstico gera valor além da norma. Um mapeamento bem feito revela onde a empresa está perdendo produtividade: sobrecarga em times específicos, gestão tóxica localizada, jornadas sem recuperação. É dado de negócio, além de documento de compliance.
Psicólogo organizacional não precisa ser CLT. A norma não exige vínculo empregatício. Consultoria externa, projeto pontual ou atuação como PJ atendem à necessidade, o que abre espaço real para psicólogas independentes que já têm prática clínica e querem diversificar para o campo organizacional.
Para quem já atua na clínica e considera essa frente, vale entender o que muda na NR-1 riscos psicossociais e como estruturar esse tipo de projeto, do escopo técnico ao valor de mercado de cada entrega.
O que fazer se a empresa ainda não tem esse processo estruturado
Não existe atalho seguro, mas existe ordem de prioridade sensata para quem está atrasado:
Levantar o que já existe. Muitas empresas têm dados dispersos (pesquisas de clima, indicadores de afastamento, feedback de RH) que já servem de ponto de partida para o mapeamento formal.
Buscar profissional qualificado, não genérico. Psicóloga organizacional com experiência em NR-1 e PGR, e não uma consultoria de RH que também oferece esse serviço como item de catálogo.
Formalizar o plano de ação, além do diagnóstico. O que sustenta a gestão é a evidência de que algo foi feito com o risco identificado, e não apenas de que ele foi nomeado.
Tratar como processo contínuo. Riscos psicossociais mudam com reestruturação, liderança nova, crise de mercado. O mapeamento é ponto de partida, não entrega única.
Acompanhar a decisão do STF. A suspensão tem prazo e a conciliação pode alterar os critérios. Vale checar o andamento da ADPF 1316 antes de decidir cronograma.
Empresas que tratam isso como projeto de compliance pontual ficam vulneráveis quando a fiscalização voltar. As que tratam como parte da gestão de pessoas, com revisão periódica e responsável técnico de confiança, reduzem risco de forma consistente.
Veja também: Resolução CFP 14/2023.
Perguntas frequentes
A fiscalização da NR-1 sobre riscos psicossociais está em vigor?
- A obrigação de incluir riscos psicossociais na gestão de riscos vale desde 26/05/2026. Em 25/06/2026, porém, o ministro André Mendonça (STF, ADPF 1316) suspendeu por 90 dias multas e outras sanções ligadas a esses itens. O plenário referendou a decisão em agosto, e a suspensão foi prorrogada por mais 90 dias em setembro. A auditoria e a orientação continuam possíveis, mas a punição desses itens está suspensa.
O que o auditor fiscal do trabalho pode pedir numa inspeção de riscos psicossociais?
- O guia do MTE indica que a empresa deve identificar e avaliar fatores de risco psicossocial dentro da gestão de riscos, no âmbito da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) da NR-17 integrada ao GRO. Questionários padronizados podem ser usados, mas não bastam sozinhos, e a NR-1 não define uma metodologia oficial única.
Toda empresa precisa ter psicólogo para atender à NR-1?
- A norma não exige psicólogo com vínculo CLT nem cita a categoria como obrigatória. Na prática, a complexidade técnica da avaliação favorece consultoria externa de psicólogo organizacional, PJ ou projeto pontual.
Vale esperar o fim da suspensão do STF para estruturar o processo?
- Não é o mais seguro. A suspensão atinge a punição de itens específicos e tem prazo, e a NR-1 continua em vigor. Além disso, ação trabalhista por afastamento em saúde mental não depende de multa do MTE. Estruturar o mapeamento agora evita fazer o trabalho sob pressão.
Onde encontrar orientação oficial sobre a NR-1?
- O Ministério do Trabalho e Emprego publicou em maio de 2026 um guia de perguntas e respostas sobre as mudanças da NR-1 e, em março, o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5, ambos no portal gov.br.
Fontes
- STF: suspende sanções da NR-1 e abre conciliação sobre regras de riscos psicossociais no trabalho (25/06/2026) (abre em nova aba)
- MTE: perguntas e respostas para orientar empresas sobre mudanças da NR-1 (maio/2026) (abre em nova aba)
Última revisão:
Revisado em 28/10/2026: o texto anterior dizia que auditores já autuavam empresas. Desde 25/06/2026 o STF (ADPF 1316) suspende multas e sanções sobre itens de riscos psicossociais, com prorrogação em setembro. Mantida a obrigação de gerir o risco.
Artigo por WiseThera
Gestão, tecnologia e compliance · WiseThera
A WiseThera escreve sobre a parte do trabalho clínico que ninguém aprende na graduação: agenda, cobrança, prontuário, contrato, imposto e as obrigações de privacidade que recaem sobre quem atende.
O blog é para psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental que tocam o próprio consultório. Cada texto sai de uma dúvida real de quem atende, e os exemplos clínicos são fictícios.

